Cá entre nós, exíguos colegas. Essa mina é muito feia. Baranga mesmo do estilo que se acha. Como afirmei a um amigo meu: se ela me dissesse que armou toda essa confusão de propósito eu acreditava. Sim, porque agora até a Playboy tá interessada na ditacuja (tristeza hein? Fim de carreira pra revista).
Eu acho é que ela deu uma provocadinha básica. O que não justifica a ação selvagem das centenas de estudantes. Uma expulsão por parte da faculdade? Difícil analisar de tão longe.
Não quero entrar no mérito se a ditacuja faltou ou não com os tão famosos bons costumes. Queria mesmo é salientar o comportamento selvagem da turba. Não guardo esperanças quanto as pessoas. A maioria das pessoas tem preguiça de pensar, de combater as próprias doenças morais que corroem qualquer tipo de razoabilidade. No caso desta mina, parece-me que novamente a turba agiu com o estômago. Porque ela tem a imagem da mulher que se "pega" e com a qual não se casa. Esta imagem , extramemente pejorativa, é fruto invariavelmente do machismo na sociedade. Uma mulher dessa não inspira respeito. Os homens pegam e usam, depois jogam fora. Tem orgulho de contabilizar tal mulher, mas jamais de considerar tal mulher como algo mais que uma pedaço de carne. Não respeitam mulher desse tipo.
Eu acho que o ser humano tem uma tendência natural ao bizarro, à ignorância, à preguiça, ao prazer e à bestialidade. A violência, as aspirações de grandeza e principalmente o exercício do poder produzem fascínio no ser humano. Constitui, acho eu, uma árdua tarefa de cada um, lutar para controlar esta natureza errática. E é difícil. Ainda mais em uma sociedade tão doente e mediocre. O problema não é tentar e não conseguir. O problema é que a maioria das pessoas nem sequer tentam. As pessoas não estão interessadas em controlar o calor das próprias entranhas. Não tenho explicações para tal natureza, só sei dizer que é assim. E no caso Geisy, parece-me que botaram o intestino para fora. Já que na moral vigente ela é um pedaço de picanha pendurada no gancho, protegidos pelo sentimento de grupo (catalizador da coragem para o bem e para o mal), a turba ensadecida alimentou o demonio dentro de si que clama por exercer poder sobre algo moralmente tão ridículo, uma moça depravada que só serve para alimentar prazeres insólitos na calada da noite e devaneios solitários entre quatro paredes. O poder foi exercido, na forma da execração, aquilo que boia escondido na profundeza do pensamento emerge, o preconceito e tudo mais, o desprezo seletivo (pois este só aparece nas manifestações heterofóbicas e não quando se trata de satisfazer a própria sanha).
Na nossa sociedade, tal qual Habermas preconizava, os direitos humanos vigoram de forma mais ou menos concreta. Há uma noção de respeito, de humanidade, uma verdadeira moral secular. Mas isto só no plano público. No plano psicológico, onde ninguem será punido pela hipocrisia de uma sociedade que prega os direitos humanos, acham um horror a menina branca que morre e não dão a mínima pro pobre (via de regra preto) que estrebucha na calçada, o demônio ( esse sim verdadeiro, não o religioso) corer solto.
É a vida. Como explicar o holocausto? Os genocídios? O ódio contra o (aparentemente) diferente? E a execração pública de Geisy? Tem tudo a mesma raíz, a mesma semente. A verdadeira "sementinha do mal" como diria o Cap. Nascimento.
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