quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Infelizmente

Prólogo situador: A OSESP tinha tour agendada nos EUA inclusive para tocar no Carnegie Hall. Foi-se o Neschling, foi-se o Carnegie Hall também. Agora a orquestra excursionará por cidades inexpressivas, com um maestro de cujo único e fatal defeito é não ter NENHUMA  relação com a orquestra (logo, não é culpa dele).


       Há os que discordam, os que acham que é melhor como tá, que a substituição do Neschling foi boa, que o maestro era abusado, que os músicos não gostavam dele, que encaram qualquer crítica à administração da orquestra (demissão do Neschling, substituição de obras desafiadoras, de obras brasileiras, etc) como desejo que a orquestra se estrague só porque ela não seguiu os rumos que queremos, enfim... uma série de argumentos. Uns mais razoáveis, outros indubitavelmente tortos...


       O fato é que a nossa orquestra iria tocar no Carnegie Hall e hoje vai tocar em cidades inexpressivas regida por um maestro que caiu de para quedas no pódio. Não há afinidade, não há identificação com a construção hercúlea dessa orquestra brasileira.


       Provavelmente, a orquestra vai tocar muito bem. Assim como vem tocando com ou sem Tortelier. E aqueles que acusam os críticos da administração atual e do pessoal que derrubou o Neschling vão cantar vitória. Pois o bom desempenho da orquestra , para eles, é a prova de que a operação lamentável de aborto da Osesp, a demissão do Neschling e a intervenção trágica do governo ( para eles tudo é um avanço, e o que é esquisito demais para se defender em público eles ignoram) foram um sucesso.


       Acredito, ao contrário destas pessoas, que a orquestra é boa demais para ser derrubada por ingerências políticas e visões artísticas pífias. E é por isso que ela não vai cair. É apesar destas modificações, e não por causa delas, que ela vai continuar de pé. As raízes plantadas , pelo jeito, são das melhores..


       É com esse pouco de esperança que espero que os loucos sejam varridos das administrações e as pessoas de coragem sejam trazidas de volta para o lugar de onde nunca deveriam ter saído.


       E olha que eu nem de São Paulo sou hein...

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