James joyce chamaria de Ciclope. Em sua interminável epopéia (e isso não é demérito) Ulisses, aquele que é realcionado com a figura mitológica é o sujeito que importuna Leopold Bloom, simbolizando a arrogância e, principalmente, a incapacidade de aceitar opiniões diferentes, de ver as coisas sob diferentes prismas. Os Ciclopes de hoje são a mídia. Todas.
A midia elitista porque defende o patriarcado ruralista e empresarial além do patriciado político historicamente identificado com fisiologismo, clientelismo, corrupção e desprezo pelo povo. A midia de esquerda (não toda ela) porque boia em um espécie de êxtase, ao defender o governo Lula e suas ramificações como se fossem a personanificação do corpo de santos católicos encarnados de uma só vez em plena terra brasileira.
Paulo Henrique Amorim (PHA), ao que parece o capitão dessa mídia eletrônica de esquerda, é um perfeito exemplo. Sim, o Enem foi fraudado. A gráfica pertence ao grupo Folha. Os meliantes que tentaram vender a informação o fizeram de forma muito esquisita. Pode ser uma tentativa de sabotagem da direita? Claro. A direita se identifica com a falta de decência. Mas também pode haver alguém simplesmente corrompido pelo dinheiro que tenha feito isto? Mas é claro também. Pode ser alguém ligado a administração pública? Esta mesma administração pública pela qual, segundo PHA, parece haver um virus de probidade moral que se espraia de modo alucinante por todos os tentáculos da estrutura estatal. Também pode ser. PHA em conferência diz que o PIG (Partido da Imprensa Golpista) descobriu que o Sarney é o Sarney. Descobriu por interesses próprios (derrubar o Lula). Mas e o governo Lula, não sabe quem é o Sarney? PHA desce a lenha em tudo que não tem cheiro de partido da situação. Sarney não tem cheiro de situação. Sarney é o cara das concessões da Globo (ponta de lança dos endemoniados). Sarney é o senhor feudal, anacrônico. O governo atuar em benefício da vida política de tão deletério cidadão é simplesmente ignorado pela mídia de esquerda PHA. Os comentários postados tanto no blog de PHA quanto no Observatório da Notícia (OI) indicam que se é pra manter a estabilidade do governo Lula, vale até apertar a mão do diabo. Sarney, logo, passou batido através da benção dos amorinistas. Vou chamar de amorinistas não em desconsideração dos outros jornalistas que seguem a mesma linha, mas por questão de prática mesmo e de preferência: sim, discordo de PHA em certas questões mas o admiro em relação à outras. É este tipo de aliança que compõe a política de concessão/contensão que considero o buraco negro que pode arrastar o Brasil para a mediocridade novamente.
O governo Lula, junto com as conquistas históricas, empreendeu uma política de convivência pacífica com a Corja. A Corja é formada por políticos como Sarney. O fato, como em post anterior já disse, é que Lula passa e a Corja permanece. A Corja não tem nome próprio, não tem rosto. Ela se esgueira pelos cantos, presente em todos os lugares. Associar-se a ela é apertar a mão do diabo mesmo porque a Corja é a legião à qual Lúcifer se referia. Os contra-argumentos existem: o governo faz o que pode, é necessário para dar movimento às mudanças. Repito: o governo Lula passa e a Corja fica. A Corja melhor se assenta no PMDB. Este partido não tem cara, não tem personalidade. É uma massa amorfa. E os perigos se escondem melhor onde não se sabe quem combater. A Corja mostra a cara no PSDB e no DEM.
O governo institui a política de coexistência. E esta coexistência é simplesmente ignorada pelos amorinistas. PHA chega a falar em conferências sobre a coexistência em relação a mídia, mas jamais em seu blog sobre o campo político. Repito: isto aqui é uma democracia, fazer a população se auto-governar é mais importante do que malhar a Globo.
As utopias existem para serem perseguidas. O preço a se pagar depois pode ser caro demais. Tudo o que PHA diz deve ser dito. Mas não contemplar realmente o câncer, a zona do agrião da política brasileira é realmente perder a oportunidade de subir de patamar na luta contra o elitismo e pressão classicista.
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