Hoje o nosso presidente chorou. Hoje o Brasil, tal qual o presidente disse, passou as barreiras de uma espécie de maioridade desenvolvimentista. Foi uma das maiores vitórias geopolíticas do Brasil. Foi talvez a maior vitória do Brasil em uma competição de política e economia internacional não-violenta. E ainda por cima, contra adversários indiscutivelmente poderosos. O Brasil venceu a nata. O Brasil deu o primeiro passo para provar a todos que pode.
Certamente, o desabafo do presidente Lula fala por si próprio. Não há o que acrescentar às palavras dele diante das câmeras. A efusividade foi proporcional à vitória. Confesso que a princípio a possibilidade de ser sede dos Jogos não me comovia. Sou do tipo radical. Radical porque não me agrada a idéia de investir em jogos caros, estruturas complexas e logísticas avançadas ao mesmo tempo que as pessoas morrem de fome. É difícil se animar com os Jogos não tendo teto, não tendo comida, nem cidadania. No entanto também reconheço que esta postura radical perpassa pelo idealismo. E como é o normal dos idealismos, são impossíveis de alçancar em questão de décadas e talvez acabem não sendo viáveis empiracamente no final das contas. Mas como ensinava Platão, não nos anima de saber que lutamos por eles? Este é o sentido...
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A verdade é que o Brasil cresce como nunca. Talvez a escolha do Rio para sede dos Jogos seja a vitória governista que sepulte a oposição em relação a política nacional . A concorrência pela presidência fica muito mais difícil tendo em vista que o opositor, provavelmente o Serra, tenha contra si um candidato amplamente apoiado, com um governo vencedor nos campos da economia e da assistência social, que apresenta sucessivas taxas de crescimento, que controla a inflação e diminui o desemprego. O Serra com seus arroubos de autoritarismo junto com a turma elitista de mentalidade tacanha parecem não ser páreos para a candidata de Lula. Podia até não ser a Dilma!
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A verdade é que o Brasil cresce como nunca. Talvez a escolha do Rio para sede dos Jogos seja a vitória governista que sepulte a oposição em relação a política nacional . A concorrência pela presidência fica muito mais difícil tendo em vista que o opositor, provavelmente o Serra, tenha contra si um candidato amplamente apoiado, com um governo vencedor nos campos da economia e da assistência social, que apresenta sucessivas taxas de crescimento, que controla a inflação e diminui o desemprego. O Serra com seus arroubos de autoritarismo junto com a turma elitista de mentalidade tacanha parecem não ser páreos para a candidata de Lula. Podia até não ser a Dilma!
O Brasil venceu, não tenha dúvida. Como eu havia dito, a candidatura do Rio não me comovia, mas também não me levou a torcer contra. Todavia, confesso que ver o nosso presidente se mostrando humano foi um alento para o espírito. Ao contrário dos comentários sebosos, distantes, falsamente surpresos e programados da mídia televisiva, aquele choro é uma coisa simplesmente bonita. É de uma humanidade grandiosa. É uma insígnia de vencedor. Parece que por um breve momento, o colosso burocrático adquire uma feição humana, que chora, sofre e vibra no final da provação. Por um breve momento, o Estado se humaniza, se identifica com o povo. Claro que é característica do Lula fazer discursos viscerais mas aquele choro de criança é evento único.
Apesar das ressalvas, terminei por me alegrar pela vitória do Rio.
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Apesar das ressalvas, terminei por me alegrar pela vitória do Rio.
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O presidente, nas entrevistas, afirmou ter provado que o Brasil consegue. Disse que não é porque temos pobreza que não conseguiriamos nos susperar. Lula falou contra aqueles que acham que defeitos sociais são a razão para não termos Jogos Olímpicos. Trata-se de uma questão de direcionamento de recursos: segundo eles, há coisas mais importantes do que jogos suntuosos. Não vejo razões de discordar do Presidente Lula com relação a esse tipo de crítica, mas também reconheço a razoabilidade da crítica criticada. No entanto, gostaria de apresentar uma outra visão crítica da condução política brasileira aproveitando a conexão com os Jogos Olímpicos. Lula falou sobre o Brasil superar sua sina de subalterno, de incapaz de ascender. Desenvolverei meu raciocínio sob este prisma.
Acredito na capacidade deste país. Estas pessoas, tão sofridas e achincalhadas por séculos, podem muito mais do que os elitistas permitem que elas mostrem. Portanto, acredito também que quem pense que falta ao brasileiro capacidade sofre de severa estupidez e/ou má-fé. E é contra estes seres de consciência limitada que considero de fundamental importância criar mecanismos para que a população se defenda. Explico melhor: o governo Lula é indiscutivelmente vencedor. Todavia as políticas de promoção de bem-estar são instituidas unilateralmente pelo governo. A população, após o voto na eleição, permanece numa inércia absoluta assistindo à bonança de forma bestificada, como se fosse uma dádiva enviada diretamente do céu (e é de certa maneira). Não se criou um costume de pressão por medidas. Se um sistema de tomada de decisões é fomentado e começa a dar resultados, é dado um passo enorme rumo ao auto-governo da população. Se trata de efetivar uma soberania que anda caduca e de reavivar uma democracia que mais parece aristocracia.
Acredito na capacidade deste país. Estas pessoas, tão sofridas e achincalhadas por séculos, podem muito mais do que os elitistas permitem que elas mostrem. Portanto, acredito também que quem pense que falta ao brasileiro capacidade sofre de severa estupidez e/ou má-fé. E é contra estes seres de consciência limitada que considero de fundamental importância criar mecanismos para que a população se defenda. Explico melhor: o governo Lula é indiscutivelmente vencedor. Todavia as políticas de promoção de bem-estar são instituidas unilateralmente pelo governo. A população, após o voto na eleição, permanece numa inércia absoluta assistindo à bonança de forma bestificada, como se fosse uma dádiva enviada diretamente do céu (e é de certa maneira). Não se criou um costume de pressão por medidas. Se um sistema de tomada de decisões é fomentado e começa a dar resultados, é dado um passo enorme rumo ao auto-governo da população. Se trata de efetivar uma soberania que anda caduca e de reavivar uma democracia que mais parece aristocracia.
O presidente Lula é muito melhor que seus colegas trapalhões da América Latina. Nem Chaves, nem Morales, nem Zelaya. Lula é muito mais lúcido, mais pragmático e com um senso de democracia mais sólido do que estas lamentáveis figuras. Com Lula não há chances de perpetuação no poder. Ele sabe o real sentido da vivência democrática. Por isso mesmo é importante lembrar que na democracia não há lugar para cultos à personalidade. Não há um salvador perpétuo. As instituições democráticas são mais importantes que o líder e este precisa salvaguardá-las. Com isto quero dizer que o Lula não é eterno. As conquistas de seu governo são frutos de unilateralidade, ou seja, de boa vontade. Não se originam de pressão genuína de uma sociedade organizada (o único ato, friso, é o voto uma vez a cada 2 anos). Claro que é difícil vislumbrar qualquer governo, por mais elitista que seja, que consiga se eleger abolindo o bolsa família, mas é por demais evidente que muito ainda se tem de fazer para expurgar a corrupção e o elitismo da nossa nação. E é neste ponto precisamente que reside a importância de instituir sob pena de se perder as conquistas lulistas com o passar do tempo. O Lula sabe, a democracia é a impessoalidade governamental sendimentada sobre uma comunidade atuante. Sem ação, há reificação do ser humano em prol de poucas cabeças destacadas da grande sociabilidade. A impressão que me deixa é que estamos perdendo a oportunidade de empreender este projeto. Como diz o jornalista Mino Carta, não teremos tão cedo um ex-metalúrgico na presidência com quem a população se identifica automaticamente.
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A vitória do governo Lula é evidente diante da tristeza que foi a vida administrativa pública do Brasil em 500 anos. No entanto é visível que as concessões, sempre tomadas a revelia do povo, preservaram o abjeto sistema de contensões elitistas que se perpetua desde sempre. Pretendo escrever sobre outros elementos do esquema contenção-concessão na continuidade. Hoje, queria mesmo é usar este memorável dia para saudar e também advertir.
O governo Lula é de uma complexidade impossível de abarcar em um post de Blog. Espero ter me feito claro. Não se trata de demonizar o Rio como sede dos Jogos Olímpicos e sim lembrar de um hiato político-estrutural que pode fazer retroceder até a alegria de celebrar o maior evento esportivo do planeta. O meu único objetivo é apontar esta complexidade, esta duplicidade que transita entre o monumental e o reacionário.
Hoje, contudo, foi o dia do monumental. Emocionemo-nos com Lula, o presidente humano. Ele merece. O Brasil merece.
Hoje, contudo, foi o dia do monumental. Emocionemo-nos com Lula, o presidente humano. Ele merece. O Brasil merece.
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